Um ator acima de tudo, tem de ser um bom entendedor, seja por intuição ou por observação, ou por ambas, e isto o coloca num mesmo nível de um médico, um padre ou um filósofo. São muitas as dimensões na arte de representar, mas NENHUMA delas é boa ou interessante... a menos que esteja investida com a aparência ou a completa ilusão de uma verdade. A diferença entre a verdade real e a ilusão de uma verdade é o que o ator tem de aprender. A lição continua até o momento de morrer...
Às vezes o ator se assusta com o papel e é difícil amar qualquer coisa da qual se tem medo. Mas devemos amar nossos personagens. Amá-los como eles nunca foram amados antes. O amor, (entre outras coisas) é a exaltação da compreensão. E COMPREENDER é uma necessidade absoluta no nosso ofício, o meio através do qual podemos informar.
O amor é o meio que temos para levar a informação ao público.
Nunca subestime a platéia, nunca se considere superior, porque, se o fizer, eles saberão. São bem mais inteligentes do que se possa pensar. São eles que pagam as suas contas e enchem o seu estômago. Nunca se barateie nem à profissão. É uma das mais antigas e melhores. Lembre-se do bobo da cote: ele não ousava interpretar mal, estava sempre dando o máximo de si.
Esta é a vida de um ator: liberdade completa e versatilidade. Tudo o que precisamos é de uma velha caixa de charutos e alguém que nos preste atenção. Vá por seu próprio e suave caminho e que ele lhe seja suave o tempo todo.
Laurence Olivier |